Negociações da Zurich e IG4 por Viracopos avançam, mas ABV acredita em outras propostas

O consórcio formado pela Zurich Airport e IG4 Capital pretende assumir o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), com uma proposta que prevê o prolongamento do contrato de concessão, além de um investimento de até R$ 100 milhões para exploração de uma parte do terminal de passageiros, que ainda não é utilizada na atual gestão. O plano das empresas para o empreendimento foi detalhado ao G1 por Stefan Conrad, CEO da Zurich Airport Latin America – que representa a companhia no Brasil.

Porém, a Aeroportos Brasil Viracopos (ABV), atual concessionária do aeroporto de Campinas (SP) e em recuperação judicial desde maio de 2018, acredita que ainda receberá novas propostas de aquisição até a assembleia de credores, adiada para o dia 27 de junho, segundo o presidente, Gustavo Müssnich, informou ao Valor.

Até agora, apenas o consórcio formado pela suíça Zurich e pela gestra IG4 e apresentou uma oferta concreta pelo aeroporto. A proposta prevê flexibilizações no contrato inicial. Entre elas, um desconto de 40% no pagamento das outorgas ao poder concedente e a renegociação dos investimentos exigidos no edital. Até agora, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e o governo se manifestaram contra o afrouxamento das condições.

No entanto, caso a proposta seja acatada com essas condições, a ABV vai questionar a operação na Justiça, afirma o executivo. “Acho que a Anac não irá aceitar, mas se aceitar, vai ser mais uma ação judicial. Tem que haver tratamento isonômico”, disse Müssnich. O argumento é que se a agência reguladora tivesse reconhecido pleitos de reequilíbrio econômico-financeiro apresentados pela ABV, ou se concedesse as mesmas flexibilizações propostas pela Zurich à concessionária atual, eles poderiam operar o negócio “tão bem ou melhor” do que a companhia suíça, afirmou Müssnich, em entrevista ao Valor. O executivo confirma que recebeu outros grupos interessados em assumir Viracopos: a argentina Inframérica, a espanhola Aena, a francesa ADP, além da CCR e do fundo Pátria.

A procura por parte da Aena e da ADP é mais recente, enquanto a Inframérica está mais avançada nas análises e é a principal candidata a apresentar uma segunda proposta de compra do aeroporto, segundo apurou o Valor, com fontes de mercado e do governo. Para o presidente da ABV uma segunda oferta de aquisição seria positiva por elevar a concorrência e mostrar que o mercado valoriza o ativo. Procurado, o consórcio da Zurich afirmou, em nota, que “permanece confiante que sua solução de mercado é a melhor e mais viável para os interesses do aeroporto de Viracopos”.

O adiamento da assembleia foi aprovado pela juíza da 8ª Vara Cível de Campinas, Thais Migliorança Munhoz, na quarta-feira. Ela atendeu a um pedido da concessionária e dos credores, que pleitearam um prazo adicional para costurar o acordo. Esta foi a segunda mudança de data da reunião, que ocorreria inicialmente em fevereiro e foi postergada para 16 maio.

Agora, a solução para o imbróglio ficará para 27 de junho ou, caso não haja quórum, em uma segunda convocação no dia 1º de agosto. Paralelamente às discussões com possíveis interessados, a concessionária trabalha na renegociação das dívidas financeiras, que somam R$ 2,88 bilhões, sendo que R$ 2,6 bilhões são com o BNDES e bancos repassadores. “Nós evoluímos bastante com os bancos nas negociações, em relação a período de carência, extensão do prazo para amortização, taxa de juros e outras condições do financiamento.

Faltam alguns ajustes, e acho que esse tempo adicional será importante para chegarmos a um denominador comum”, afirma Müssnich. Já a negociação com a Anac é mais complexa. A concessionária tem dívida de cerca de R$ 400 milhões em outorgas vencidas com o órgão, e outros R$ 4,4 bilhões em repasses que deverão ser feitos até o fim do contrato. Na visão do executivo, a postura da agência reguladora é “beligerante”, e há “falta de boa vontade” com a concessionária. Ele avalia que o posicionamento do órgão tem afastado potenciais interessados em comprar a concessão, pois provoca insegurança.

A ABV e a Anac travam desde o início do contrato, iniciado em junho de 2012, disputas que teriam provocado um desequilíbrio da ordem de R$ 3,2 bilhões, pleiteados pela concessionária. O principal deles é a desapropriação de imóveis no terreno de Viracopos que seriam usados para exploração imobiliária e que não foram realizadas até hoje. Esses pleitos foram incluídos no plano de recuperação judicial da ABV, que, paralelamente, pede os ressarcimentos por meio de ações administrativas e judiciais.

Com informações do Valor e G1


Anúncio de R$ 7,5 bi para polo automotivo, movimenta setor

A planta da Fiat Chrysler Automobiles em Goiana, considerada a mais moderna da montadora no mundo, completou quatro anos e, para marcar a data, foram anunciados novos investimentos.

A expectativa é ampliar a capacidade produtiva da unidade, investir em novas tecnologias e atrair novas fábricas para o parque de fornecedores do polo automotivo da Jeep, uma soma de aportes que pode alcançar R$ 7,5 bilhões até 2023. Neste período, a linha de produção será ampliada de 250 mil para 350 mil veículos por ano, além de acrescentar mais 9 mil empregos aos 13.600 já gerados.

O terreno do polo automotivo da Jeep em Goiana conta, atualmente, com a planta da própria montadora, além de dos 16 fornecedores do parque. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Bruno Schwambach, a chegada da montadora injetou R$ 47 bilhões na cadeia produtiva do estado e R$ 450 milhões de renda na região de Goiana. “O impacto da Jeep mudou a matriz econômica estadual, inclusive aumentando a exportação pernambucana”, afirma.

De 2015 a 2019, os automóveis representam 17% de todo o valor exportado pelo estado e esta é a segunda maior carga exportada entre 2017 e 2018. A Argentina é o país que mais recebe automóveis, seguida do Chile, Colômbia, Uruguai e Peru. A planta de Goiana está produzindo em três turnos desde março do ano passado, entregando mil carros por dia. “Pouquíssimas fábricas na América Latina estão trabalhando nos três turnos. E a nossa produção está muito voltada também para a exportação e temos que levar em consideração que a Argentina está absorvendo menos, então podemos dizer que temos um projeto sustentável e temos que celebrar isso nesses quatro anos. Agora vamos pensar em crescer, trazendo mais tecnologias e novos fornecedores”, ressalta Antonio Filosa, CEO da FCA para a América Latina.

O objetivo é incrementar o parque de fornecedores. “Este plano de investimento muito ambicioso se baseia na atração de novas tecnologias e fornecedores. Tudo que é a base da indústria já temos lá no polo automotivo e agora precisamos não ter apenas a base de sustentação e olhar para frente e, para isso, precisamos trazer tecologias, novos materiais e visões mais tecnológicas. Estamos lançando um projeto de integração de novos fornecedores e são todos relacionados às novas tecnologias e materias do futuro do setor. Temos o suporte da nossa matriz, já estamos negociando com muitos fornecedores e esperamos crescer rapidamente”, acrescenta Filosa.

Para o governor Paulo Câmara, o investimento previsto para os próximos quatro anos mostra a confiança do grupo em Pernambuco. “Com a decisão desse aporte, é um olhar para o futuro, com a geração de mais emprego e renda para o estado. Além disso, essa fábrica não apenas constrói automóveis, ela pensa na indústria automotiva do mundo quando ela implanta um centro de tecnologia aqui, então é um momento muito importante”, destaca. A FCA instalou um Centro de Inovação no Porto Digital e hoje desenvolve software para a Jeep mundial e também para a Maserati.

 


Ministério estabelece normas de importação de produtos para Copa América 2019

Jogos serão realizados entre 14 de junho e 7 de julho. Procedimentos serão aplicados aos produtos usados pelas delegações dos países participantes da competição

Foi publicada no Diário Oficial da União, nesta sexta-feira (17), a Instrução Normativa (IN) nº 12, que estabelece os procedimentos para a importação de produtos de origem animal e vegetal para uso ou consumo durante a Copa América de 2019, que será realizada no Brasil de 14 de junho a 7 de julho, com jogos em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador.

Os procedimentos estabelecidos serão aplicados às importações solicitadas pelas organizações, delegações, instituições e entidades indicadas pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e credenciadas pela Receita Federal do Brasil (RFB). As representações diplomáticas dos países participantes também estão contempladas na IN.

“A norma permite o tratamento adequado de internalização dos produtos de interesse agropecuário, tendo em vista que o objetivo das importações não é comercial e que o volume transportado é superior ao que usualmente fiscalizamos”, destaca o Chefe do Serviço de Modernização e Regulamentação da Fiscalização da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), Tacao Toyosumi.

Para solicitar a autorização, os representantes legais das instituições, devidamente nomeados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), deverão encaminhar formulário específico para a Secretaria de Defesa Agropecuária, apresentando a especificação detalhada dos produtos a serem importados.

O pedido de autorização pode ser feito mediante remessa postal destinada à SDA ou por e-mail gabsda@agricultura.gov.br. A solicitação deverá ser feita com antecedência mínima de 30 dias corridos da chegada dos produtos ao Brasil.

“Os pedidos serão encaminhados a uma Comissão Técnica Central que fará a análise e deliberação sobre a autorização da importação pretendida, informando ao interessado e a unidade do Vigiagro que ficará responsável pela fiscalização física dos produtos”, explica Toyosumi. A autorização deve sair em até 15 dias, contados a partir da data do recebimento da solicitação. Ressalta-se que a autorização é destinada exclusivamente para utilização e consumo durante a Copa América, sendo proibido o comércio dos produtos importados


Movimento no Porto de São Sebastião cresce 84% no 1° trimestre

O primeiro trimestre de 2019 foi de crescimento para o Porto de São Sebastião, que movimentou cerca de 183 mil toneladas de produtos, um aumento de 84% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Na importação, os principais produtos operados foram carbonato de sódio (barrilha), sulfato de sódio, malte, cevada, ulexita, silicato de sódio e carvão mineral. Já na exportação, as principais movimentações registradas foram de cargas vivas (bovinos).

De acordo com a Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), o saldo positivo no primeiro trimestre é resultado de uma gestão que buscou ampliar a movimentação de produtos, principalmente, a operação de barrilha que já atua no Porto de Santos e passou a operar também no Porto de São Sebastião.

Novos produtos como o carvão mineral e o hidróxido de alumínio passaram a fazer parte da grade de movimentação, além do aumento das habituais cargas. Além disso, foi ampliada a capacidade de armazenamento do Porto que agora possuí três armazéns de alvenaria e cinco armazéns de lona.

“Além da ampliação, a diretoria do Porto de São Sebastião atua para melhoria da qualidade dos serviços já prestados aos seus clientes, assim como na busca por novos clientes com cargas compatíveis com as instalações e localização do Porto”, diz a CDSS.

Conforme a Companhia, a nova gestão intensificou o trabalho junto aos Operadores Portuários e Agentes de Carga e ainda com empresas que operam no comércio exterior visando atrair novos negócios para o Porto de São Sebastião, isto associado a adequações na infraestrutura de armazenagem de cargas.

Segurança – A CDSS destaca que foram realizados investimentos na segurança das operações com aquisição de um scanner, que funciona como um raio x e é capaz de visualizar o conteúdo no interior de um contêiner. Quando o caminhão passa pelo equipamento, as imagens captadas da carga serão enviadas à Receita Federal, que analisará se a mercadoria está de acordo com a legislação.

A nova tecnologia torna a fiscalização mais eficiente, reduzindo o tempo de liberação das mercadorias de importação, exportação ou cabotagem. O investimento foi de R$ 4,2 milhões. O Porto, ainda, tem aprimorado o sistema ISPS Code, que é um sistema que segue normas internacionais de segurança para controle de acessos de pessoas e cargas, inclusive com monitoramento de navios, tornando as operações mais seguras.

O Porto de São Sebastião é administrado pela Companhia Docas de São Sebastião desde 2007 e é considerado essencial para o desenvolvimento do Vale do Paraíba e região de Campinas, com potencial para escoamento das cargas produzidas ou importadas.

Fonte: Portos e Navios

 


Brasil atinge 10 mil empresas de energia solar e cerca de 20 mil empregos

O Brasil acaba de atingir cerca de 10 mil empresas que atuam com energia solar, em especial nas áreas de equipamentos e serviços para a geração distribuída, conforme mapeamento recente do Portal Solar, maior marketplace do segmento no País.

Estimativas do setor dão conta de que as companhias empregam atualmente 20 mil profissionais, com investimentos acumulados que ultrapassam R$ 24 bilhões entre os empreendimentos de grandes usinas e sistemas de autogeração em residências, comércios e indústrias.

No caso específico das empresas de engenharia e instalação (geração distribuída), o levantamento do Portal Solar mostra que foram criados aproximadamente 6 mil empregos somente nos últimos 12 meses. Somente o setor de geração solar distribuída já recebeu cerca de R$ 3,4 bilhões em investimentos desde 2012, espalhados por todo o território nacional.

O Portal possui uma média mensal de acesso de 200 mil pessoas, que movimentam cerca de R$ 25 milhões em compra e venda dos mais de 6 mil itens disponíveis, incluindo milhares de opções de geradores fotovoltaicos, equipamentos de instalação, inversores e sistemas de bombeamento, entre outros.

Dos quase 75 mil sistemas fotovoltaicos instalados até hoje nos telhados brasileiros, cerca de 25 mil projetos já foram submetidos para certificação no Portal Solar. Com isso já são mais de 1,4 mil empresas instaladoras que possuem o Selo Portal Solar de qualidade.

“O que construímos aqui no Portal Solar é a maior e mais qualificada base de instaladores de energia solar no Brasil”, comenta Rodolfo Meyer, CEO do Portal Solar. “Os clientes finais também são incentivados a deixar sua avaliação sobre os instaladores certificados e assim fornecemos um mecanismo de classificação para que o mercado busque sempre melhorar, além de facilitar a vida do consumidor para encontrar instaladores qualificados e com avaliações reais”, acrescenta.

Prova de que esse mecanismo funciona é o índice de inadimplência no financiamento oferecido no próprio Portal , que foi reduzido de forma drástica quando o serviço é prestado por um instalador certificado no marketplace.

Trata-se do nascimento de um segmento que, em questão de dois anos, será o maior dentro do setor elétrico, aponta Meyer. “Na nossa última pesquisa, concluída no final de abril com mais de 1,5 mil empresas participantes, verificamos que 41,2% delas trabalham com energia solar fotovoltaica a menos de um ano, 27,1% de um a dois anos, 19,5% de dois a três anos, e apenas 12,3% atuam mais de quatro anos. Outro dado é que 6% ultrapassaram a marca de 50 sistemas instados, 57,9% instalaram de 10 a 50 sistemas e 36,4% ainda não completaram três instalações”, conclui.