American Airlines opera primeiro vôo somente de carga em 36 anos devido ao coronavírus

Empresa reitera que a carga aérea pode desempenhar um papel importante em períodos tumultuados e está migrando para vôos cargueiros puros

A Cia. Aérea Amercan Airlines anunciou que transportou suprimentos médicos, correio, eletrônicos e muito mais como parte de seus primeiros vôos somente de carga em 36 anos, utilizando uma aeronave de passageiros. devido a cortes de coronavírus.

“Temos um papel crítico a desempenhar para manter a movimentação de bens essenciais durante esse período sem precedentes e estamos orgulhosos de fazer nossa parte e encontrar maneiras de continuar a servir nossos clientes e nossas comunidades”, disse Rick Elieson, presidente de carga, e o vice-presidente de operações internacionais da American Airlines, em comunicado divulgado na semana passada.

“Tempos desafiadores exigem soluções criativas, e uma equipe de pessoas em toda a companhia aérea trabalha sem parar para organizar opções de voo apenas de carga para nossos clientes”.

O primeiro voo apenas de carga da American desde 1984 saiu na última sexta-feira do Aeroporto Internacional de Dallas-Fort Worth (DFW) e pousou no sábado, no Aeroporto de Frankfurt (FRA) na Alemanha. Após o retorno, o avião – um Boeing 777-300, com capacidade para 100.000 libras de carga – faria mais um voo de ida e volta para a FRA.

Todos os quatro vôos programados “devem ser reservados para capacidade e transporte de suprimentos médicos, correio para militares ativos dos EUA, equipamentos de telecomunicações e eletrônicos que apoiarão as pessoas que trabalham em casa e pacotes de comércio eletrônico”, segundo a American Airlines.

Os voos serão operados apenas por tripulantes necessários, acrescentou a companhia aérea.

O anúncio da American Airlines ocorre em um momento de incerteza para o setor de aviação, com o serviço diminuído e a demanda por viagens supostamente pior do que era após o 11 de setembro. No início desta semana, o presidente Trump havia expressado seu desejo de fazer com que o setor aéreo “número 1” em termos de prioridade para um resgate, ao discutir um potencial plano de estímulo ao coronavírus de US $ 50 bilhões durante uma entrevista coletiva na Casa Branca.

Enquanto isso, a American Airlines reitera que a carga aérea pode desempenhar um papel importante em períodos tumultuados.

“Os membros de nossa equipe em toda a companhia aérea estão prontos e dispostos a fazer o necessário para garantir que as pessoas tenham o que precisam durante esses tempos sem precedentes”, disse um funcionário da American Airlines na DFW em comunicado à imprensa.

A American Airlines também continuará a transportar carga no mercado interno, através de seus voos de passageiros.


Viracopos: voos cargueiros suprem demanda deixada por espaço dos voos internacionais de passageiros

Com todos os cuidados possíveis, o Terminal de Cargas de Viracopos segue funcionando normalmente para garantir abastecimento à indústria, principalmente a farmacêutica e a alimentícia. Inclusive os aviões cargueiros estão suprindo a falta de oferta de espaço para cargas, devido às restrições de alguns voos internacionais de passageiros.

Através de suas mídias sociais, a ABV (Aeroportos Brasil Viracopos) informou que “Em momentos de crise, é necessário que os reabastecimentos continuem ocorrendo e o transporte aéreo de carga tem sido um parceiro fundamental nesta batalha contra a doença coronavírus (COVID-19).

O reabastecimento de medicamentos, equipamentos médicos, suprimentos e diversos tipos de materiais devem continuar e por isso não podemos parar. Em função disto todos os profissionais da área estão tendo a cautela necessária para evitar a propagação a doença coronavírus (COVID-19) seguindo as recomendações vindas dos especialistas da Saúde.

Assim como nós é importante que você faça a sua parte: siga as orientações de higiene, respeite o isolamento social e em breve todos sairemos dessa juntos”, finaliza a mensagem da ABV

Foto: Aeroflap


Conheça as 10 ações prioritárias da Agenda CNI que trabalhará pela recuperação do comércio exterior brasileiro

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou nesta quarta-feira (25), a 5ª edição da Agenda Internacional da Indústria. Documento reúne 109 ações, distribuídas em quatro eixos: política comercial, serviços de apoio à internacionalização, ações em mercados estratégicos e cooperação internacional. O evento de lançamento foi cancelado devido à pandemia de coronavírus.

A Agenda Internacional foi elaborada a partir de ampla consulta ao setor privado brasileiro nos últimos meses de 2019, quando já havia desafios para o comércio exterior brasileiro diante a crise da Argentina e da desaceleração da China. Segundo o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi, a indústria entende que o momento é delicado devido aos perversos efeitos da pandemia sobre os setores produtivos com reflexos na economia e na sociedade.

Dentre as 109 ações previstas na Agenda Internacional da Indústria 2020, a CNI identificou dez que são prioritárias para o setor privado brasileiro.

1. Abertura comercial via negociação de acordos – O Brasil deve continuar a abrir sua economia por meio da negociação de acordos comerciais. Além disso, qualquer revisão da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul deve ser precedida de consulta pública, baseada no uso de metodologia que leve em conta os diferenciais de custo entre o país e seus principais concorrentes, considere a tarifa real já aplicada no Brasil e seja sincronizada com uma agenda de reformas para a competitividade.

2. Aprofundamento da agenda econômica e comercial do Mercosul – A agenda econômica e comercial do Mercosul deve ser aprofundada, sobretudo para assegurar o livre comércio total no âmbito bloco, o aperfeiçoamento de sua governança técnica e administrativa, e a internalização dos protocolos já negociados pelos sócios, sobre Contratações Públicas e de Facilitação de Comércio.

3. Acessão do Brasil à OCDE – O Brasil deve manter seu esforço para aceder à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aderindo a novos instrumentos da OCDE. Esse processo deve ser acompanhado de perto pelo setor privado.

4. Reforma e fortalecimento da OMC – É necessário manter um sistema multilateral de comércio forte e funcional, ancorado na Organização Mundial do Comércio (OMC). Para tanto, é necessário reformar a organização, sobretudo o funcionamento do Órgão de Solução de Controvérsias e de seu Órgão de Apelação. Além disso, o setor privado deve analisar os benefícios e riscos da adesão do Brasil ao Acordo de Compras Governamentais da organização.

5. Revisão da Lei de Lucros no Exterior – O Brasil precisa revisar a Lei de Lucros no Exterior para eliminar a tributação do lucro das empresas brasileiras com investimentos em outros países ou, de forma alternativa, ampliar a concessão de crédito presumido de 9% para todos os setores e prorrogar esse crédito, bem como a consolidação dos resultados das empresas, de 2022 para 2030. Além disso, é importante que o Brasil altere seus critérios para o enquadramento de um país como regime de subtributação.

6. Disponibilização de recursos para o Portal Único de Comércio Exterior – O Congresso Nacional e o Poder Executivo precisam alocar recursos financeiros para a execução e implantação dos novos módulos de importação e de coleta única do Portal Único de Comércio Exterior, bem como assegurar a total integração dos órgãos anuentes e de seus respectivos controles e regulamentações ao programa.

7. Reforma Tributária para o comércio exterior – É fundamental que a Reforma Tributária assegure a imunidade tributária das exportações, elimine a cumulatividade e o resíduo tributário nas vendas externas, resolva a questão da acumulação de créditos tributários e mantenha os regimes aduaneiros especiais de Drawback, Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (Recof) e Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado do Sistema Público de Escrituração Digital (Recof-Sped).

8. Melhor governança do sistema público de financiamento e garantias às exportações – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) deve aprimorar a estrutura de sua área responsável pelas atividades de financiamento às exportações. Além disso, é necessário que o Banco do Brasil tenha maior autonomia nas operações do Programa de Financiamento às Exportações (Proex) e que o Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) se reúna com regularidade.

9. Combate aos subsídios industriais ilegais e que distorcem o comércio – O Poder Executivo deve publicar o Novo Decreto de Subsídios e Medidas Compensatórias com os principais pontos apresentados pela indústria, sobretudo a adequação da definição de subsídios, a previsão de adoção de metodologias alternativas em casos de condições anormais de comércio e a mudança da definição de indústria doméstica.

10. Implementação do Rota Global em todo o país – O Poder Executivo deve implementar a metodologia Rota Global em até 18 estados brasileiros por meio do Plano Nacional da Cultura Exportadora (PNCE) e assegurar a aplicação dessa metodologia por todas as entidades parceiras e participantes do Plano.

“Estamos atentos à situação das empresas e do emprego. Esse momento é atípico e terá fim. Não sabemos exatamente quando, mas precisamos lançar os princípios para uma recuperação do comércio exterior em paralelo ao combate à pandemia no Brasil. Essa doença provocou uma mudança de prioridades sobre um planejamento já elaborado. Mesmo assim, a Agenda Internacional mantém o foco em um braço importante para o Desenvolvimento da economia do país centro no comércio exterior”, diz Abijaodi.

Para a CNI, o comércio exterior é uma ferramenta fundamental para a aceleração do crescimento econômico e para o aumento da produtividade e da competitividade da indústria brasileira. Nesse contexto, a Confederação defende o aperfeiçoamento da governança da política comercial brasileira para tornar o processo decisório mais eficiente, eficaz e equilibrado nos resultados.


Movimentação de navios, trens e caminhões de carga segue normal no país, mas NTC alerta que transporte rodoviário de carga recuou 26% em dez dias

Ministros da Agricultura de diversos países da América do Sul participaram na última terça-feira, 23, a convite da ministra brasileira Tereza Cristina, de uma videoconferência para debater a harmonização de normas e garantir a fluidez do trânsito de mercadorias e o abastecimento de alimentos na região durante a pandemia do coronavírus. Será elaborado um documento com protocolos para garantir o livre tráfego do transporte rodoviário de cargas entre os países.

Todos os ministros afirmaram que o fechamento de fronteiras rodoviárias para passageiros de outros países não se estende aos motoristas que transportam cargas agropecuárias. “Temos a grande responsabilidade de garantir o abastecimento e a manutenção das cadeias de alimentos, do produtor até o consumidor final”, disse Tereza Cristina.

Já em países da Europa e Ásia, há navios esperando até 14 dias para atracar. A Organização Marítima Internacional (IMO) informou que a situação pode melhorar nesta semana com a proibição das embarcações com passageiros, já que as empresas vão se concentrar nas cargas. Além disso, conta a favor o fato de a China estar retomando os trabalhos nos portos. Por lá, a epidemia do coronavírus perde força a cada dia desde terça–feira passada, 17. Ainda assim, a OMI pede que importadores e exportadores prestem atenção ao comercializar cargas para evitar prejuízos com os navios parados.

Brasil – Aqui no Brasil, o Porto de Santos, o principal do país, informou por meio de boletim divulgado nesta terça que opera normalmente. A movimentação de navios, trens e caminhões ocorre sem qualquer restrição. Os trabalhadores passaram por adaptações de acordo com os critérios estabelecidos pelas autoridades de saúde.

De acordo com Francis Censi, gerente de Logística Agropecuária da Seara, o compromisso dos caminhoneiros com o transporte de cargas continua durante a epidemia do coronavírus. “Está prevalecendo o bom senso. Não há restrições e o transporte flui normalmente no país. Os transportadores de logística agropecuária trabalham exclusivamente para as empresas integradoras fazendo o transporte dos animais e do alimento dos animais de maneira rotineira, são frotas dedicadas.

O abastecimento dos animais e também da população não pode ser interrompido. Produzir e distribuir alimentos é essencial para promover a proteção à vida. Os motoristas são agentes que precisam se manter firmes, protegendo sua saúde e das pessoas que estão próximas para poder efetuar sua tarefa tão nobre de maneira consistente e sem riscos. Distribuímos cartilhas com informações e também kits de higiene pessoal.

A cada carga e descarga, reforçamos que devem lavar as mãos e evitar contato físico, e pedimos que as cabines dos veículos sejam lugares ainda mais seguros. A manopla de marcha, o volante e os botões devem ser higienizados sempre que possível”, disse Censi.


Transporte de Carga – O volume de transporte rodoviário de carga (TRC) no Brasil recuou 26,14% em dez dias. É o que aponta um levantamento feito pela …

O volume de transporte rodoviário de carga (TRC) no Brasil recuou 26,14% em dez dias. É o que aponta um levantamento feito pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) com 600 transportadoras brasileiras.

O objetivo é monitorar o impacto da quarentena imposta pela pandemia do coronavírus. Foram ouvidas empresas de pequeno, médio e grande porte. O levantamento foi realizado entre segunda-feira (23) e terça-feira (24).

Esse é o primeiro estudo que realizamos desde que a doença chegou ao País”, afirma o assessor-técnico da NTC&Logística, Lauro Valdivia, responsável pelo levantamento. “A intenção é ouvir as transportadoras uma vez por semana para monitorar e ajudar o setor a avaliar o impacto nos negócios das empresas e na economia.”

A indústria é o setor mais afetado pela quarentena. O segmento que apresentou o maior recuo no volume de carga transportada foi o de embalagens plásticas. A queda foi de 55,36%, de acordo com a apuração da NTC&Logística.

Em seguida vêm o setor eletro-eletrônico, com recuo de 46,50%. A queda no volume de transporte de produtos e equipamentos para a indústria automotiva foi de 37,62%.

O setor com menor queda foi a indústria química, com recuo de 7,96%. O agronegócio e a indústria alimentícia (produtos não refrigerados) tiveram retração de, respectivamente, 11,50% e 16,21%.

O único setor com aumento no volume de carga transportada foi o farmacêutico. O levantamento da NTC&Logística aponta alta de 0,84% nos últimos dez dias.

Valdivia avalia que, mesmo com a tendência de aumento na busca por alimentos e produtos farmacêuticos em um momento como o de pandemia, o consumidor está segurando as economias. “Isso explica o fato de até as mercadorias essenciais sofrerem retração de consumo num momento como este”.

Presidente da NTC&Logística, Francisco Pelúcio diz que se a letargia econômica se estender por muito tempo, o País entrará em colapso. “Os embarcadores operam com prazo de faturamento de, em média, 30 a 45 dias. Mas já há embarcadores pedindo 90 dias para acertar as contas com as transportadoras.”

Para minimizar as perdas e viabilizar o setor, a entidade está solicitando a liberação de uma linha de crédito ao Ministério da Economia. “Temos que retomar os negócios. A indústria não pode parar.”

Pelúcio afirma ainda que o setor vem orientando os profissionais acerca da prevenção e dos riscos envolvendo o coronavírus. “Cada empresário está cuidando dos seus colaboradores e motoristas.”


Solve vê perspectiva de aumento das exportações no Brasil, apesar do coronavírus

Embora a pandemia do novo coronavírus tenha avançado rapidamente nas últimas semanas no mundo todo, na avaliação do sócio da Solve Shipping, Leandro Barreto, o mercado de exportação no país não foi impactado. Ao contrário, ele projeta recorde na movimentação de mercadorias no primeiro semestre deste ano.

Já as importações sofreram mais com pandemia em decorrência, sobretudo, do lockdawn ocorrido na China. Isso provocou o desabastecimento de determinados insumos no Brasil, acarretando no fechamento de algumas fábricas na Zona Franca de Manaus, por exemplo.

Na China, epicentro do coronavírus até início de março, a decisão das autoridades foi pelo fechamento de toda a cadeia logística, com portos, rodovias e indústrias paralisadas. Para Barreto, isso provocou o que ele chamou de colapso logístico, interrompendo a cadeia de movimentação de produtos naquele país.

Porém, o Brasil, Estados Unidos e países da Europa, optaram por deixar o fluxo de mercadorias aberto permitindo o pleno funcionamento do comércio entre eles. “Aqui a situação é diferente da China. O mercado de carne, celulose, madeira, os produtos agrícolas estão funcionando bem.”, afirmou Barreto. Para ele, o que tem havido é um excesso de pânico no país que não corresponde com a realidade.

Ele lembrou que a China levou de 15 a 20 dias para normalizar a situação do país e reabrir as indústrias e o setor de logística. Devido a isso, os últimos navios que saíram de lá em direção ao Brasil ainda estão vindo menos carregados de insumos, o que deve desabastecer, até primeira semana de abril, comércios como o da Zona Franca de Manaus, Saara, no Rio de Janeiro e 25 de Março, em São Paulo.

No entanto, análises mais recentes realizadas pela Solve Shipping já revelam que vem aumentando tanto a exportação quanto a importação entre Brasil e China. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o comércio com os Estados Unidos também já apresenta crescimento.

Fonte: Portos e Navios